Ontem eu fui ao Cemitério Nacional de Arlington. Eu não queria ir para lá, mas acabou que não tivemos tempo de ir para Baltimore. E eu então concordei a ir ao cemitério, pensando que eu ia num Cemitério Municipal da vida. Não, não só era um cemitério construído com fundos públicos americanos; eu fui a um cemitério com monumentos feitos de granito e mármore, túmulos e mais túmulos de soldados americanos e guardas do exército (mais que simbólico do que para proteção mesmo -- afinal, que terrorista vai soltar bomba em cemitério?).
Ao chegar lá uma tempestade despencou. Eu me senti estar num chuveiro, mas com roupa. Encharcado e sem entender o propósito daquele lugar, eu comecei a ler o que os monumentos diziam. “Temos que defender liberdade e paz para as futuras gerações...”. Para mim era tudo um blá blá blá depois de ficar uma semana em Washington. E foi interessante ler tudo aquilo depois de escrever o meu post sobre ideais: e daí que esse país defende a liberdade? Algumas décadas atrás negros nem podiam estudar nas mesmas escolas que os brancos no sul do país. E daí que Jefferson era a favor da igualdade? E daí que Abraham Lincoln conseguiu abolir a escravidão? Naquela hora e já pensava que não tinha servido para nada.
Então a minha amiga Patti falou: “Sabe, Marcos, eu não sou a favor da guerra do Iraque ou do que estamos fazendo no Afeganistão agora, mas eu sou pró-militarismo. Não que eu concorde com o que o comandante em ofício mande ou desmande, mas os soldados que servem as forças armadas em tempos de guerra fazem de tudo pelos ideais dessa nação.”
Daí eu entendi. Aquele mar de túmulos simboliza não uma América de guerra e conquistas, mas uma América de liberdade e ideais. A Patti me explicou que ela voluntária em um programa fundado e financiado por veteranos que ensinava o sistema político para jovens.
Essa experiência não mudou somente a minha visão sobre as forças armadas. Eu entendi que devo olhar com olhos críticos para as coisas para buscar melhoras e não para ter ódio ou para simplesmente falar mal.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
domingo, 21 de agosto de 2011
Ilusão existencial e a quimera capitalista
Às vezes eu me sinto como se eu não pudesse nem mesmo mover os meus dedos, como se eu não tivesse o poder de dizer uma palavra. É como se eu, um atrapalhado qualquer no mundo, não pudesse nem olhar afora. Eu ontem parei ao lado dos prédios - arranha o céu e eu nem consigo alcançar o céu. Mas o que é que eu, tão pequeno comparado ao resto, posso fazer?
Talvez a pergunta seja: será que posso fazer? Fazer o quê, se os meus dedos nem parecem que movem por minha vontade? Será que Descartes estava certo, ou será que a existência é pura ilusão? Não, não que eu não exista, mas que a minha existência sirva mais da que a de um grão de areia. Não que eu queira ser o melhor ou o mais forte. Eu só quero ser melhor e mais forte. Eu ficaria até satisfeito sendo somente forte.
Mas os prédios continuam arranhando o céu e a qualquer hora em Dubai vão construir outro prédio para entrar no Guinness como o mais alto do mundo. E aqui os meus dedos movem, mas eu não sei quem os move.
sábado, 20 de agosto de 2011
Washington DC é uma cidade maravilhosa. Todos os prédios, monumentos, memoriais... É realmente uma projeção arquitetônica dos ideais americanos. A pergunta que passou diversas vezes na minha cabeça foi: onde estão as pessoas que realmente acreditam nisso? Não que eu não acredite que não existem pessoas assim, mas parece que uma fumaça está atrapalhando todo mundo a ver os verdadeiros ideais da nação. E eu entendo completamente: a última coisa que eu quero são impostos tirado do meu pequeno salário.
Porém, o que mais me impressiona é ter gênios da ciência política como fundadores de um país. Thomas Jefferson, James Madison, Alexander Hamilton... Quem seriam os equivalentes Brasileiros? Dom Pedro? Creio que não. As poucas revoltas que procuraram igualdade fracassaram com a opressão dos governos no Brasil. Embora o Brasil seja mais antigo que os EUA, o nosso governo é muito mais novo. A história política é instável.
Talvez os brasileiros precisem encontrar os seus ideais. E temos que evitar a fumaça que hoje atrapalha os EUA. É isso que eu procuro aqui na BYU, porque eu acredito que os brasileiros sem uma ideológica são idênticos ao Chineses, Indianos, e Russos. Quem ganha a batalha não é quem tem mais dinheiro ou mão-de-obra. Quem ganha a batalha é aquele que se preocupa com indivíduos e não com PIB.
Porém, o que mais me impressiona é ter gênios da ciência política como fundadores de um país. Thomas Jefferson, James Madison, Alexander Hamilton... Quem seriam os equivalentes Brasileiros? Dom Pedro? Creio que não. As poucas revoltas que procuraram igualdade fracassaram com a opressão dos governos no Brasil. Embora o Brasil seja mais antigo que os EUA, o nosso governo é muito mais novo. A história política é instável.
Talvez os brasileiros precisem encontrar os seus ideais. E temos que evitar a fumaça que hoje atrapalha os EUA. É isso que eu procuro aqui na BYU, porque eu acredito que os brasileiros sem uma ideológica são idênticos ao Chineses, Indianos, e Russos. Quem ganha a batalha não é quem tem mais dinheiro ou mão-de-obra. Quem ganha a batalha é aquele que se preocupa com indivíduos e não com PIB.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Pioneiros e eu.
Nesse exato momento eu estou no aeroporto. Hoje eu vou pra DC. Ontem à noite eu assisti o filme chamado “17 Miracles” (17 Milagres). É sobre a jornada de um grupo de pioneiros mórmons que
saíram da Inglaterra e decidiram ir para Utah. A história não só me fez
valorizar o lugar em que estou vivendo agora e a minha religião, mas também me
fez pensar sobre a minha própria vida. Para mim, é psicológica e
sociologicamente interessante que um grupo de pessoas sacrificariam todos os
seus bens e riquezas para alcançar um sonho.
Mas o que isso tem a ver com a minha história do campus?
Primeiramente BYU foi fundada com o esforço desses pioneiros. E isso ainda
influencia muito no que a universidade exige dos alunos. Eu conheci alguns
estudantes de outras faculdades e eles, por exemplo, não têm inspeção de
limpeza. Além disso, é esperado de um aluno da BYU fazer 30 horas de serviço
comunitário por semestre.
Mas o mais importante é que a história dos pioneiros tem
muito a ver com a minha própria história. Muitas vezes eu mesmo me pergunto por
que eu vim para cá. Eu poderia ter ficado numa faculdade pública e gratuita,
não teria que trabalhar, teria os meus pais sempre por perto...
Mas eu decidi seguir um sonho. E através daquele filme, os
pioneiros me ensinaram que a minha vida pode não ser fácil, mas vai valer a
pena.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Joelho machucado e outras complicações
O meu joelho ainda está com problemas... A parte mais interessante disso tudo é que agora os meus amigos (os que ainda estão aqui em Utah) vêm ao meu apartamento para me fazer companhia de vez em quando. Ontem a gente jantou juntos.
Na verdade isso em si não é muito interessante. O problema é que eu já me preparei para a mudança. Todos os meus utensílios estão empacotados, exceto um garfo e um prato, etc. Na verdade eu empacotei até o meu detergente. Tive que lavar a louça com xampu. Agora as louças que ainda estão na cozinha estão cheirando a Pantene.
Mas hoje é meu último dia aqui no apartamento 24. Eu vou para Washington amanhã e em duas semanas volto para o “Vale Feliz” (assim que o pessoal chama Provo e as redondezas). Então essa semana eu vou escrever sobre as minhas aventuras na capital desse país.
Na verdade isso em si não é muito interessante. O problema é que eu já me preparei para a mudança. Todos os meus utensílios estão empacotados, exceto um garfo e um prato, etc. Na verdade eu empacotei até o meu detergente. Tive que lavar a louça com xampu. Agora as louças que ainda estão na cozinha estão cheirando a Pantene.
Mas hoje é meu último dia aqui no apartamento 24. Eu vou para Washington amanhã e em duas semanas volto para o “Vale Feliz” (assim que o pessoal chama Provo e as redondezas). Então essa semana eu vou escrever sobre as minhas aventuras na capital desse país.
domingo, 14 de agosto de 2011
Why 校園文學? Cuma?
Eu resolvi começar um novo blog. Sim, mais um. Mas não quero parar de postar até que a minha vida universitária termine. Eu resolvi colocar a descrição do blog como 校園文學 (xiàoyuán wénxué). Em mandarim significa literalmente literatura do campus. Na China, é comum os alunos escreverem as suas experiências na faculdade e compartilharem com os amigos.
Então é exatamente isso que eu estou fazendo. E o meu motivo? Eu quero escrever em Português. Eu preciso falar Português. E já que eu não encontro um brasileiro todo dia aqui, eu vou ter que falar sozinho.
Eu sei que uns dias os meus posts vão ser muito chatos, mas outros dias vão ser mais divertidos. A minha meta porém e fazer com que os meus dias sejam sempre únicos. Mesmo que eu tenha que trabalhar e estudar o dia inteiro, vão ser as pequenas coisas que farão desse blog algo único.
Claro que nem todo mundo se importa com a minha vida ou com que pegadinha eu preguei no meu colega de quarto hoje, mas esse blog vai ser único porque ele vai seu meu. E eu tenho certeza que ninguém terá a mesma vida que eu (ou eu fui enganado pela teoria antropocêntrica).
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