domingo, 21 de agosto de 2011

Ilusão existencial e a quimera capitalista

Às vezes eu me sinto como se eu não pudesse nem mesmo mover os meus dedos, como se eu não tivesse o poder de dizer uma palavra. É como se eu, um atrapalhado qualquer no mundo, não pudesse nem olhar afora. Eu ontem parei ao lado dos prédios - arranha o céu e eu nem consigo alcançar o céu. Mas o que é que eu, tão pequeno comparado ao resto, posso fazer?

Talvez a pergunta seja: será que posso fazer? Fazer o quê, se os meus dedos nem parecem que movem por minha vontade? Será que Descartes estava certo, ou será que a existência é pura ilusão? Não, não que eu não exista, mas que a minha existência sirva mais da que a de um grão de areia. Não que eu queira ser o melhor ou o mais forte. Eu só quero ser melhor e mais forte. Eu ficaria até satisfeito sendo somente forte.

Mas os prédios continuam arranhando o céu e a qualquer hora em Dubai vão construir outro prédio para entrar no Guinness como o mais alto do mundo. E aqui os meus dedos movem, mas eu não sei quem os move.

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