Eu sei que esse não é um feriado comemorado no Brasil, mas como esse blog é sobre como a minha experiência aqui está mudando o meu caráter, eu quero falar sobre esse feriado.
Embro uma das melhores partes do dia de ação de graças seja a comida (muita comida), existe um espírito algumas carregam junto do peru e do purê de batata. É o espçirito de gratidão.
Eu acho que da mesma forma o Natal é aquele feriado em que todo mundo é generoso (principalmente com o décimo-terceiro), o dia de ação de graças é aquele feriado em que todos são gratos por tudo.
No facebook muitos dos meus amigos postam diariamente o motivo deles estarem felizes. Ele são gratos pelas suas famílias, amigos, escola, empregos, etc.
Então essa semana eu vou entrar no espírito.
Eu sou grato hoje por carros e aviões, porque eu posso visitar os meus amigos e família.
Literatura do (meu) campus
校園文學
terça-feira, 22 de novembro de 2011
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
O tempo, de Mario Quintana
O despertador é um objeto abjeto.
Nele mora o Tempo. O Tempo não pode viver sem nós, para não parar.
E todas as manhãs nos chama freneticamente como um velho paralítico a tocar a [campainha atroz.
Nós
é que vamos empurrando, dia a dia, sua cadeira de rodas.
Nós, os seus escravos.
Só os poetas
os amantes
os bêbados
podem fugir
por instantes
ao Velho... Mas que raiva impotente dá no Velho
quando encontra crianças a brincar de roda
e não há outro jeito senão desviar delas a sua cadeira de rodas!
Porque elas, simplesmente, o ignoram...
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Parte 3
Chega de agouro! Como diria a minha avó.
Essa história do avião já passou dos limites! Vai logo e para de arrumar desculpa.
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Então hoje teve aqui na faculdade o que uma "World Fest". Eu participei na barraca do brasileiros. Foi muito legal explicar para os outros sobre a minha cultura. E, acima de tudo, foi ótimo falar em português com os outros brasileiros.
Também conversei com um pessoal de Taiuã. Eles são ótimos.
Eu amo conhecer culturas diferentes. Acho que devo mudar meu curso para culturologia (como se existisse).
Essa história do avião já passou dos limites! Vai logo e para de arrumar desculpa.
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Então hoje teve aqui na faculdade o que uma "World Fest". Eu participei na barraca do brasileiros. Foi muito legal explicar para os outros sobre a minha cultura. E, acima de tudo, foi ótimo falar em português com os outros brasileiros.
Também conversei com um pessoal de Taiuã. Eles são ótimos.
Eu amo conhecer culturas diferentes. Acho que devo mudar meu curso para culturologia (como se existisse).
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Parte 2
Ah, mas eu decidi me levantar e procurar esse piloto. De olhos fechados ou abertos, eu queria que o avião voltasse ao montes. Quem tem direito de tomá-los de mim? Quem são esses que acham que podem andar pelos caminhos que andei? Ninguém tem direito de sofrer o que sofri ou de colher o que eu colhi naqueles montes verdes. Eu andava afrente em direção à cabine. A minha determinação vencia o meu desafio. Eu ignorava a minha inabilidade de abrir os olhos, e me apressava para que não fosse tarde demais. Eu sabia que havia um ponto sem retorno. E talvez fosse tarde demais, mas eu não desistia. Eu já tinha tomado a estúpida decisão de querer ir além dos meus montes, e queria desfazer o erro que cometi.
Eu andava o mais rápido possível, tomando cuidado para não bater a cabeça em algum lugar. E parecia que estava correndo uma maratona de tanto demorava para eu chegar à cabine. Mas acho que eu tinha tropeçado em algum objeto. Eu caí e o meu rosto encontrou o chão do avião. Não sei quem colocou aquele objeto desconhecido no chão. Talvez tenham colocado para eu tropeçar; talvez quisessem tomar a minha tapera e meus montes. Talvez quisessem me sabotar para não me deixar voltar para a minha terra.
Mas eu fiquei lá deitado. Talvez esperando que alguém me levantasse, ou talvez eu quisesse somente que o avião continuasse voando. Quem se importava? Nós já tínhamos passados o ponto sem retorno.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Parte 1
Os meus olhos não queriam se abrir. A minha mente perpassava os montes da minha cidade. Eu, porém, nem mesmo sabia onde realmente estava. Um suor frio cobria a minha testa. As minhas mãos trêmulas limpavam um pouco do suor e eu tentava não pensar na turbulência. Não era o medo do avião que me fazia cogitar em me levantar; era o medo dos montes na minha mente. Medo deles irem embora com meu passado. Já era hora de eu ir mesmo. Por mais que sentissem falta de mim, eu já não acreditava que havia outro jeito. Eu tinha que ir para lá, aquele lugar além dos montes. Lá ver meu pai, mas aonde mesmo eu não sei. A dor não mente; o suor frio não mente. Porém eu continuo com olhos fechados. Será mesmo que além dos montes eu o veria?
Ah, e a paisagem na minha mente ficava mais verde com as chuvas de verão. E de longe eu via a tapera onde tinha morado. Ela parecia menor do que quando estava lá, ou talvez a minha memória tinha começado a falhar. Talvez eu queria esquecer de tudo e deixar os montes para outro alguém viver. Mas os meus olhos não se abriam e o suor ficava cada vez mais frio. As minhas mãos agora limpavam as minhas lágrimas. Eu já não sentia mais a turbulência. Tudo era turbulência. E será que poderia voltar? Pensei em gritar para o piloto para dar meia-volta e esquecer o nosso destino. Eu queria chamar a aeromoça e pedir para ela um copo d'água. Mas por mais que eu tentasse, os meus olhos não se abriam.
Eu tentava imaginar o lugar além dos montes, mas a minha mente insistia na tapera demolida. Não, não é possível que a complexidade do meu ser seja sintetizada em uma gota de suor. Não, não é possível que o meu destino dependa de onde eu parti. Porém a turbulência continua. Ela sempre continua, mas não sei se meu corpo desaprendeu a sentir. A tapera já não existe mais. Seria mesmo um milagre ou somente eu tentando me convencer de que o piloto não irá me ouvir? Ou talvez seja somente abnegação.
sábado, 12 de novembro de 2011
Além da lembrança
Além da minha agenda em português eu não acho que tenho muitas coisas que me lembrem do Brasil. Eu tenho um pouco de arroz integral e uma lata de feijão que eu acho que vou preparar amanhã. Talvez a minha obsessão pelo Brasil seja um pouco desnecessária porque eu vou voltar em um mês. Mas o eu sei que o Brasil não vai ser o Brasil. Não que ele tenha mudado tanto, muitas coisas provavelmente estarão idênticas, mas eu não. Eu não entendo por que pessoas são tão mais voláteis do que cidades. Não, eu não acho que é por causa de investimento, apesar da taxa de poupança do Brasil ser baixa mesmo, o que faz com que seja mais difícil de investir. Eu acho que o problema (ou a solução?) está nos indivíduos.
O Brasil vai continuar a ser violento e populoso, mas eu me acostumei a nunca trancar a porta do apartamento. Eu me acostumei a andar sozinho a noite em lugares escuros e desertos. Eu percebi que de vez em quando eu deixo as minhas coisas em frente do computador na biblioteca e vou ao banheiro e quando volto tudo está do jeito que eu deixei. Não, os Estados Unidos não é um lugar cheio de paz e harmonia, da mesma forma que em Conceição do Mato Dentro ninguém vê traficantes com metralhadoras.
Mas será que o Brasil viverá muito além da minha lembrança? Será que eu viverei muito além do meu brasileirismo?
O Brasil vai continuar a ser violento e populoso, mas eu me acostumei a nunca trancar a porta do apartamento. Eu me acostumei a andar sozinho a noite em lugares escuros e desertos. Eu percebi que de vez em quando eu deixo as minhas coisas em frente do computador na biblioteca e vou ao banheiro e quando volto tudo está do jeito que eu deixei. Não, os Estados Unidos não é um lugar cheio de paz e harmonia, da mesma forma que em Conceição do Mato Dentro ninguém vê traficantes com metralhadoras.
Mas será que o Brasil viverá muito além da minha lembrança? Será que eu viverei muito além do meu brasileirismo?
Perdi o bonde e a esperança.
Volto pálido para casa.
A rua é inútil e nenhum auto
passaria sobre meu corpo.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Pragmática na prática
Ontem eu estava na fila do Subway com a minha amiga Soyoung da Coreia. Nós vimos uma conhecida nossa também da Coreia. Aconteceu que as duas começaram a falar em coreano e eu estava boiando, mas aproveitando a oportunidade de ouvir as duas falando uma língua diferente. O coreano não é tão estranho quanto o vietnamita que parece que tem um marimbondo no seu ouvindo quando alguém fala alguma coisa. Brincadeiras a parte e voltando ao assunto, as duas terminaram a conversa e aí a Soyoung me falou em inglês que ela tinha esquecido de convidar a menina para uma atividade que ela e uns amigos coreanos dela estão organizando. Então a Soyoung chamou a nossa conhecida de volta e a convidou para o evento. Aí ela sorriu e saiu andando, como se ela estivesse nos ignorado. Eu olhei para a Soyoung com uma cara de não-entendi. Ela me explicou que aquilo significa que ela provavelmente não aceitou o convite. Eu pensei: "Isso é óbvio, mas por que ela respondeu tão rudemente?"
Então a Soyoung me explicou que os Coreanos não conseguem falar não, e quando eles não podem aceitar um convite, eles geralmente sorriem e saem andando. Aí eu falei, como que sem pensar: "Nossa, que estranho!" (e na verdade eu pensei "nossa que coisa mais rude!") Eu terminei a frase e percebi o erro que eu cometi. Eu estava falando de falha pragmática há uns dias e agora esqueci de tudo. Então eu pedi desculpas a Soyoung e fiquei pensando.
Ainda tenho muito que aprender, mas estou feliz que eu estou mais consciente em relação a essas diferenças.
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