segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Um cemitério e uma antiga ideia agora enterrada

Ontem eu fui ao Cemitério Nacional de Arlington. Eu não queria ir para lá, mas acabou que não tivemos tempo de ir para Baltimore. E eu então concordei a ir ao cemitério, pensando que eu ia num Cemitério Municipal da vida. Não, não só era um cemitério construído com fundos públicos americanos; eu fui a um cemitério com monumentos feitos de granito e mármore, túmulos e mais túmulos de soldados americanos e guardas do exército (mais que simbólico do que para proteção mesmo -- afinal, que terrorista vai soltar bomba em cemitério?).

Ao chegar lá uma tempestade despencou. Eu me senti estar num chuveiro, mas com roupa. Encharcado e sem entender o propósito daquele lugar, eu comecei a ler o que os monumentos diziam. “Temos que defender liberdade e paz para as futuras gerações...”. Para mim era tudo um blá blá blá depois de ficar uma semana em Washington. E foi interessante ler tudo aquilo depois de escrever o meu post sobre ideais: e daí que esse país defende a liberdade? Algumas décadas atrás negros nem podiam estudar nas mesmas escolas que os brancos no sul do país. E daí que Jefferson era a favor da igualdade? E daí que Abraham Lincoln conseguiu abolir a escravidão? Naquela hora e já pensava que não tinha servido para nada.

Então a minha amiga Patti falou: “Sabe, Marcos, eu não sou a favor da guerra do Iraque ou do que estamos fazendo no Afeganistão agora, mas eu sou pró-militarismo. Não que eu concorde com o que o comandante em ofício mande ou desmande, mas os soldados que servem as forças armadas em tempos de guerra fazem de tudo pelos ideais dessa nação.”

Daí eu entendi. Aquele mar de túmulos simboliza não uma América de guerra e conquistas, mas uma América de liberdade e ideais. A Patti me explicou que ela voluntária em um programa fundado e financiado por veteranos que ensinava o sistema político para jovens.

Essa experiência não mudou somente a minha visão sobre as forças armadas. Eu entendi que devo olhar com olhos críticos para as coisas para buscar melhoras e não para ter ódio ou para simplesmente falar mal.

4 comentários:

  1. Não sei, Marcos, eu continuo a favor de nem termos nação, quanto mais exércitos...enquanto gostas das ideias da Patti, eu gosto das ideias do John Lennon (leia a letra de Imagine).

    Os ideais dos patriarcas norte-americanos nunca foram de igualdade a todos. A igualdade e os ideais dessa nação foram construídos depois, porque quem era igual era quem tinha dinheiro, já que eles eram liberais.

    As notas de dólar não os deixam mentir.
    Cuidado!

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  2. E mais, as guerras em que os EUA se meteram até hoje foram guerras cujas finalidades são extremamente duvidosas.

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  3. Sim, o ideal realmente é não ter exércitos, mas, embora eu acredite que as forças armadas americanas devem diminuir de tamanho, eu acho que elas não devem (podem?) acabar. O que a Patti me explicou foi que as pessoas que servem nessas instituições acabam formando um senso patriotismo. E eu penso que isso é bom porque patriotismo leva ao humanitarianismo. Quanto a não ter nações, isso é difícil sociologicamente falando. Em termos políticos e econômicos seria interessantíssimo no bom sentido. Porém as pessoas sempre procurarão alguma forma de rotular.

    Na verdade, se os patriarcas norte-americanos defendiam igualdade ou não é um assunto discutível (sim, é difícil descobrir no que uma pessoa morta acredita). Eu tomo a posição moderada; ou seja, eu penso que eles escreveram textos sobre uma sociedade democrática utópica, mas com a situação histórica (e claro com medo de perder poder e dinheiro), eles muitas vezes não aplicaram esses ideais. Com o tempo, e com o amadurecimento da sociedade, esses ideais ficaram cada vez mais notáveis, como exemplo Martin Luther King e a defesa dos direitos civis.

    E o meu próximo post vai ser sobre a ideia de nenhuma nação.

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  4. Você ia para Baltimore?
    Ah, isso é tão Hairspray!
    Acho que a gente vai fazer Hairspray no teatro!

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