segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Parte 1
Os meus olhos não queriam se abrir. A minha mente perpassava os montes da minha cidade. Eu, porém, nem mesmo sabia onde realmente estava. Um suor frio cobria a minha testa. As minhas mãos trêmulas limpavam um pouco do suor e eu tentava não pensar na turbulência. Não era o medo do avião que me fazia cogitar em me levantar; era o medo dos montes na minha mente. Medo deles irem embora com meu passado. Já era hora de eu ir mesmo. Por mais que sentissem falta de mim, eu já não acreditava que havia outro jeito. Eu tinha que ir para lá, aquele lugar além dos montes. Lá ver meu pai, mas aonde mesmo eu não sei. A dor não mente; o suor frio não mente. Porém eu continuo com olhos fechados. Será mesmo que além dos montes eu o veria?
Ah, e a paisagem na minha mente ficava mais verde com as chuvas de verão. E de longe eu via a tapera onde tinha morado. Ela parecia menor do que quando estava lá, ou talvez a minha memória tinha começado a falhar. Talvez eu queria esquecer de tudo e deixar os montes para outro alguém viver. Mas os meus olhos não se abriam e o suor ficava cada vez mais frio. As minhas mãos agora limpavam as minhas lágrimas. Eu já não sentia mais a turbulência. Tudo era turbulência. E será que poderia voltar? Pensei em gritar para o piloto para dar meia-volta e esquecer o nosso destino. Eu queria chamar a aeromoça e pedir para ela um copo d'água. Mas por mais que eu tentasse, os meus olhos não se abriam.
Eu tentava imaginar o lugar além dos montes, mas a minha mente insistia na tapera demolida. Não, não é possível que a complexidade do meu ser seja sintetizada em uma gota de suor. Não, não é possível que o meu destino dependa de onde eu parti. Porém a turbulência continua. Ela sempre continua, mas não sei se meu corpo desaprendeu a sentir. A tapera já não existe mais. Seria mesmo um milagre ou somente eu tentando me convencer de que o piloto não irá me ouvir? Ou talvez seja somente abnegação.
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