terça-feira, 15 de novembro de 2011

Parte 2


Ah, mas eu decidi me levantar e procurar esse piloto. De olhos fechados ou abertos, eu queria que o avião voltasse ao montes. Quem tem direito de tomá-los de mim? Quem são esses que acham que podem andar pelos caminhos que andei? Ninguém tem direito de sofrer o que sofri ou de colher o que eu colhi naqueles montes verdes. Eu andava afrente em direção à cabine. A minha determinação vencia o meu desafio. Eu ignorava a minha inabilidade de abrir os olhos, e me apressava para que não fosse tarde demais. Eu sabia que havia um ponto sem retorno. E talvez fosse tarde demais, mas eu não desistia. Eu já tinha tomado a estúpida decisão de querer ir além dos meus montes, e queria desfazer o erro que cometi.

Eu andava o mais rápido possível, tomando cuidado para não bater a cabeça em algum lugar. E parecia que estava correndo uma maratona de tanto demorava para eu chegar à cabine. Mas acho que eu tinha tropeçado em algum objeto. Eu caí e o meu rosto encontrou o chão do avião. Não sei quem colocou aquele objeto desconhecido no chão. Talvez tenham colocado para eu tropeçar; talvez quisessem tomar a minha tapera e meus montes. Talvez quisessem me sabotar para não me deixar voltar para a minha terra.

Mas eu fiquei lá deitado. Talvez esperando que alguém me levantasse, ou talvez eu quisesse somente que o avião continuasse voando. Quem se importava? Nós já tínhamos passados o ponto sem retorno.

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