quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Normal e epifânico

Não sei sobre o que escrever hoje. Ontem eu fui ao museu de história natural aqui na universidade. Foi muito interessante. Mas fora isso a minha única preocupação essa semana é a minha prova de economia. O meu resfriado está me fazendo procrastinar os estudos. E também estou me sentindo um bagaço, mas fora isso hoje parece ser um dia bem normal.

Talvez os dias normais sejam os que mais importam na minha vida universitária. São nesses dias que eu percebo quem eu sou, ou melhor, quem eu me tornei. Eu penso que quando os acontecimentos do meu dia estão abaixo de uma limiar de consciência, eu normalmente começo a reconhecer as partes de mim que estão normalmente escondidas.

E eu fico surpreso.
Sou apenas um homem.
Um homem pequeno à beira de um rio.
Vejo as águas que passam e não as compreendo.
Sei apenas que é noite porque me chamam de casa.
Vi que amanheceu porque os galos cantaram.
Como poderia compreender-te, América?
É muito difícil
- Trecho de "América" de Drummond

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Linguística e minha aventura

"Hoje é dia de comemoração porque eu não preciso mais de usar as muletas!

Mas então, direto ao assunto, eu resolvi falar um pouco de linguística hoje. Toda terça-feira aqui na faculdade tem um fórum ou um devocional em que um professor é escolhido para dar uma palestra para todos os professores, alunos e funcionários. Hoje o discursante foi o chefe do departamento de linguística. Ele falou sobre diferenças em culturas e as falhas pragmáticas. Ele explicou que a pragmática é quando frases gramaticalmente corretas, que fora de contexto não fazem sentido algum, carregam um sentido intencional. Ele deu um ótimo exemplo e eu estou adaptando para o português:

Cíntia: "O telefone tá tocando."
Pedro: "Eu tô lavando o carro."
Cíntia: "Tudo bem."

Sem a pragmática esse trecho não faz sentido, mas essas três frases carregam um sentido intencional. Primeiro Cíntia indica que ela não quer atender o telefone e sugere que Pedro deve atender. Pedro indica que ele não pode no momento e então Cíntia indica que ela irá atender.

Mas o que achei mais interessante foi a falha pragmática e em específico a falha pragmática transcultural.  Exemplo de uma falha pragmática:

Imagine um casal dirigindo na estrada.
Cíntia: "Você tá com sede?"
Pedro: "Não."
Há um silêncio no carro até o casal chegar ao destino desejado. Aí Cíntia diz:
"Pedro, você tem que ser menos egocêntrico!"
Pedro não entende por que Cíntia faz tal comentário.

Nesse caso Cíntia sinaliza que ela está com sede, mas Pedro não entende esse sinal. Então o professor explicou que isso também ocorre entre culturas. Por exemplo, diferente culturas têm diferente autonomias pessoais, ou seja, quem tem poder para dizer para uma outra pessoa o que fazer. Em nações em que essa autonomia é menor (sendo os Estados Unidos a nação com menor autonomia segundo os estudos), as pessoas desenvolvem complexidades linguísticas para aliviar a expressão de poder. Em tais culturas, é mais comum dizer "Você se importaria de fechar a porta?" Nas culturas com maior expressão de poder (sendo o Brasil a nação com maior autonomia segundo os estudos), é mais comum dizer "Por favor, feche a porta". Note que essa segunda forma ainda assim é considerada educada; a única diferença é que uma é mais direta que a outra.

E o que isso têm a ver com a minha aventura? Eu quero aprender um pouco mais sobre essa falha transcultural. O professor explicou que a cultura anglo-americana com meios pragmáticos está ficando cada vez mais global. Muitos então pensam que esses meios pragmáticos são o padrão, o normal. E isso pode desenvolver uma superioridade cultural. Porém o professor explicou que podemos e devemos respeitar outras culturas. Para isso, precisamos desenvolver uma habilidade sofisticada para analisar o uso da língua e valores culturais conscientemente. E o poeta G.K. Chesterton resume mais ou menos o que eu sinto:
Vai morrendo mais um dia
Durante o qual tive mãos, olhos, ouvidos
E o vasto mundo ao meu redor;
E amanhã é outro dia.
Por que tenho direito a dois?

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Resfriado e 2 graus Celsius

Eu peguei uma gripe no final de semana e hoje eu estou me sentindo um bagaço. Fora isso, nevou no sábado e no momento está fazendo 2 graus lá fora - eu estou me sentindo um bagaço congelado. E eu tenho uma prova de macroeconomia essa semana e semana que vem eu tenho uma prova de chinês. Mas pelo menos faltam 6 semanas para eu voltar para o Brasil com o clima naturalmento umidificado.

Mas este post não é para eu reclamar. Eu fiz isso 3 dias atrás. Hoje eu quero falar da minha justaposição de poemas de ontem. Acabei de reler o post hoje e aquilo parece com a minha apostila de ecologia: não há nenhuma sintaxe e ninguém consegue entender nada. Porém ainda sim eu consigo olhar para aquele mumbojumbo e fazer conexões com o que eu sinto ao ler cada trecho. E tudo flui de uma maneira muito interessante. Talvez não terei a mesma impressão no futuro, porque eu estou indo muito além do que os morfemas realmente representam.

É como quando eu cheiro cigarro aqui em Provo (acho que a última vez que encontrei alguém fumando aqui foi ano passado, não lembro) e eu me lembro do Brasil, e da minha infância com a minha vó tentando parar de fumar. Mas o cheiro de cigarro não passa nada de uma nojenta mistura de cinzas, carbono oxidado e outras toxinas. Não há nada de poético no cigarro, muito menos simbólico, mas ainda assim algo dentro de mim desperta com o cigarro. (Aff, e agora relendo o que eu escrevi eu me sinto como um viciado tentando justificar o uso do fumo...)

Curto e grosso, chegou a hora de eu enfrentar outra aventura na minha vida.

domingo, 6 de novembro de 2011

Memória

“Amar o perdido / deixa confundido / este coração.” (Ah! “Brasil, meu Brasil Brasileiro, / Meu mulato inzoneiro, / Vou cantar-te nos meus versos.”)

“Nada pode o olvido / contra o sem sentido / apelo do Não.” (“As aves, que aqui gorjeiam, / Não gorjeiam como lá.”)

“As coisas tangíveis / tornam-se insensíveis / à palma da mão.” (“Auriverde pendão de minha terra, / Que a brisa do Brasil beija e balança, / Estandarte que a luz do sol encerra / E as promessas divinas da esperança...”)

“Mas as coisas findas, / muito mais que lindas, / essas ficarão.” (“— Viverás, e para sempre, / na terra que aqui aforas: / e terás enfim tua roça. // — Aí ficarás para sempre, / livre do sol e da chuva, / criando tuas saúvas.”)

Esse post justapõe trechos de poesias para [tentar] clarificar a minha linha de pensamento. Esses poemas incluem: “Memória” de Drummond, “Canção do Exílio” de Gonçalves Dias, “Navio Negreiro” de Castro Alves, “Morte e vida severina” de João Cabral de Melo Neto e a canção “Aquarela do Brasil” de Ary Barroso.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Serviço de Atendimento ao Estudante

Eu hoje quero reclamar e elogiar coisas que eu aprendi e coisas que nunca me ensinaram no ensino médio.

Eu realmente adquiri uma boa visão crítica do mundo. Embora as análises que eu aprendi em geografia e história fossem um pouco tendenciosas e fossem superficiais, elas formaram uma base para eu entender outras análises. Elas também me dão motivação para eu fazer as minhas próprias análises. Hoje eu fui a uma palestra de um pesquisador de economia e ele nos mostrou diversos trabalhos que ele já fez. Eu sou muito grato por ter aprendido como pensar sobre o mundo, mas eu me arrependo por não ter aprendido um pouco de análise estatística no ensino médio.

Outra coisa pela qual eu sou muito grato é a base que eu ganhei nas ciências naturais. Isso me ajuda muito na parte matemática do meu curso, porém eu acho que eu não aprendi como provar e pensar em uma forma mais matemática. Eu acho que eu estou sofrendo por isso agora.

A aula que eu acredito que me ajudou muito foi filosofia. Essas aulas me ensinaram a pensar em lógica e a argumentar. Eu aprendi a ter um pensamento mais crítico e não acreditar em tudo o que me ensinam.

E afinal, eu quero dizer que embora tendo aprendido tudo isso, ninguém nunca me ensinou a ser autônomo. Ninguém me ensinou a fazer pesquisa. Professores mastigaram tudo na minha boca no ensino médio. A transição foi muito abrupta para mim. Talvez se tivessem me ensinado a realmente estudar e a não depender tanto de um professor, eu seria um melhor aluno hoje. Infelizmente todo mundo pensa que a faculdade serve para aprender essas coisas, mas como aluno e com a minha experiência eu penso que o ensino médio deve ser uma preparação para a faculdade e não para o vestibular.

Talvez então a primeira pesquisa da minha carreira deve ser sobre os efeitos do vestibular em alunos brasileiros. Não, talvez depois do doutorado, porque eu ainda lembro de um professor que me disse uma vez que eu só posso expressar o que eu quiser sobre o sistema educacional quando eu tiver um doutorado...

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Eu e meu sono

Uma coisa que eu aprendi é que o meu sono definitivamente altera a forma em que eu ajo. Hoje eu resolvi não escrever nada muito grande. Hoje quase dormi na aula de economia. Nossa, como eu gostaria de poder fazer tudo que eu tenho que fazer sem ferir as 8 horas mais importantes do dia. Bem, nos últimos dias eu tenho reduzido essas 8 horas, então hoje eu vou ter uma sessão completa do meu sono de beleza.

Boa noite.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

O ciclo da vida

No filme "O Rei Leão", Mufasa fala para o seu filho Simba: "Olhe para dentro de você. Você é muito mais do que pensa que é. Você tem que ocupar o seu lugar no ciclo da vida. Lembre-se de quem você é.”

Esse é uma das minhas metas. Talvez seja até bom que de vez em quando não percebamos o quanto crescemos. Talvez nos deixe mais humildes, ou nos dê a impressão de que devemos trabalhar cada vez mais diligentemente. E isso é um bom incentivo. Na verdade o capitalismo funciona mais ou menos dessa forma. Nós sempre queremos alcançar mais para termos mais conforto ou realizarmos os nossos sonhos. Não estou ignorando o fato de que o capitalismo de vez em quando faz com que as pessoas passem por cima das outras para conseguirem alcançar o título de melhor do mundo ou mais rico do mundo, etc. Porém, querendo ou não, o capitalismo promove progresso que faz com que a sociedade tenha um melhor proveito dos recursos existentes. Economicamente falando, não importa a quais incentivos as pessoas respondem, desde que haja resposta.

De qualquer forma, o meu incentivo é o meu potencial. "Você é muito mais do que pensa que é." Eu acredito que qualquer pessoa tem o potencial de conseguir alcançar o que quer que seja. Tudo bem, parece livro de autoajuda, mas é verdade. Excluindo o contexto econômico e cultural de cada indivíduo, todos somos feitos da mesma matéria e basicamente do mesmo material genético. E ao mesmo tempo somos indivíduos únicos. Talvez leve mais tempo para alguém que nasceu numa cidade rural da Nigéria para de tornar um cientista do que para alguém que sempre estudou em escola particular nos Estados Unidos. Porém os dois podem alcançar a mesma meta. Talvez o nigeriano necessite de ajuda, mas mesmo assim ele tem o potencial.

"Você tem que ocupar o seu lugar no ciclo da vida." Todos nós temos que procurar nossos sonhos e o que realmente gostamos de fazer. Eu acho que eu encontrei o meu lugar. Agora só me resta trabalhar duro para conseguir ocupá-lo.

Mas acima de tudo: "Lembre-se de quem você é."